Entrelaçados

Entrelaçados

Crônicas de uma capa nada invisível.


Estrelando: dois poetas desafortunados, uma mula sem cabeça e o mestre do aviãozinho.

“Começamos com um aquecimento a nivel de um a 7. Depois numa guerra de pés bravos e sedentos por ganhar! Terminando o aquecimento com a queda de Golias e a decisão da vitoria pela moça nada indefesa.
Então, partimos pelos corredores gelados onde patinamos ate encontrar o grande olho do Bigbrother!!! Dessa forma, tivemos que usar de nossa capa invisível advinda de Waka Waka e pudemos nos esconder dele...percorrendo um perigoso corredor...Logo, nos deparamos com um grupo estranho que escutava nossas vozes, porém não conseguiam nos enxergar e tivemos o prazer de compartilhar da invisibilidade com um deles,subindo pelos portões celestes até onde o Grande Olho não nos pudesse ver...
Guardamos nossos tesouros no baú da Montanha e fomos nos aventurar com nosso guia visível, o famoso Mendirrilha. Mas, logo a Montanha o expulsou de seu cargo por ser muito desestruturado... E logo o Senhor Bob Bolha tomou seu lugar de guia.
Partimos imediatamente para próximo de um grupo que para testar nosso poder de invisibilidade, mas esse grupo mostrou que nosso poder é nada perto deles, pois eles conseguiram sumir mais incrivelmente que nós! E nos pegamos conversando com o vento, partilhando de nosso poder em comum. Então, achamos melhor nos usarmos de nossa esperteza e seguir a senhora das luzes nos olhos... Nossa companheira logo sentiu a curiosidade incontrolável do principezinho que um dia havia conhecido e quis aquela habilidade...e então, iniciou-se seu aprendizado!

Entramos num reino governado pela Madame Piripiri...e aprendemos nossas novas denominações...e fizemos a homenagem Piripiri devido a seus ensinamentos sagrados com nossa dança da chuva Piripiri!
Mas uma vez iniciado os ensinamentos, vimos que a fome tbm nos atingia, tentamos fazer uma divisão justa com Madame Piripiri, mas seu poder de argumentação era mais veloz, e a lebre Mendirrilha mostrou pra quê veio...
E ao tentar conseguir mais dessas sementes dos deuses, encontramos o mestre dos magos e do amor, Amarante, o Almirante. Aprendemos sobre a poesia e seu poder de cantar como os sabiás! Sem deixar de mostrar nossos dotes sobre andar pra frente pra trás no corredor branco com luzes, claro!
Foi aí que veio o torturado do iceberg! A tortura feita pelos doutores sem piedade o deixou com marcas que somente um de nós conseguiria sobreviver (devido a nossa capacidade de detectar o perigo)... mas então aprendemos qual o maior de todos os segredos: o Singer!! Um dos ingredientes mais importantes na salvação de qualquer problema!!!
Então, pq parar?¿! Singer, aí vamos nós!!
Com nossa habilidade incomensurável de localizar ingredientes incríveis, achamos a senhora de Jurubeba, dessa vez sem sua água ácida (que alívio), e o papagaio dos pelos dourados! E assim pudemos ter uma ideia de onde conseguir o Singer!! Maaas, logo Talusina perdeu a cabeça e se tornou a mula sem cabeça!! Sem poder enxergar, porém sem perder sua voz gasguita infindável, começamos a guiá-la para colar sua cabeça com o singer...
Detivemos a varinha das varinhas das imagens, mas logo fomos expulsos desse reino, pois la o singer não era encontrado...descobrimos junto com nossa mula o poder do superbond... E juntos fizemos a operação cola-cabeça! Porém, o resultado não foi o desejado...os abaulamentos em Talusina pareciam ser irrecuperáveis...
Então, tentamos uma ultima vez conseguir o material do conserto, mas uma vez dentro da passagem secreta, não poderíamos mais nos libertar a menos que perdêssemos a cabeça ou o nariz!
Decidindo pelo nariz, perdemos nossa fonte inesgotável de poder e, claro, de nosso radar para materiais, cessamos nossas buscas num descanso temporário! Afinal, semana que vem temos um show marcado de Amarante, O almirante! E esse, nosso radariz não nos deixará perder!
                 Mas antes que eu me despeça, algo continuou a ribombar...a capa realmente nos escondeu ou nos revelou?”.


                                                                                                                                              (Zé do Baile)
                                                   Será que o sonho virá?

Vou começar pelo fim: a emoção calou-nos. Sabíamos que era a hora de parar, até porque seria difícil superar a emoção daquele momento puro e simples, tanto que não precisou de  nenhuma palavra para explicar que tínhamos que nos recolher. Em sintonia e em silêncio, tiramos o nariz, mas a sensação de ter vivido um dos momentos mais intensos do palhaço fazia com que a gente continuasse se olhando pra acreditar na beleza do momento que tínhamos acabado de presenciar. Foi do inesperado que nasceu uma flor de vontade de viver. E quem ia acreditar que daquele corpo sofrido e com aspecto de dor terminal sairia uma força de vida tão intensa? É, porque pra mim os explosivos berros que tentavam acompanhar nossa canção eram muito mais do que gritos sem ritmo ou afinação, eram um desabafo de quem gosta de viver e de quem, talvez, sente saudade de sentir o prazer da vida sem agonia. Ela era jovem, mas parecia uma criança... Criança daquelas que não cansa. E era como se no intervalo da dor nós fôssemos o ópio que a aliviava – uma verdadeira insustentável leveza do ser. No início e no fim ela apertou nossas mãos, as mãos dela estavam quentes e ela apertava sem soltar e nos olhava bem no olho como quem diz: “eu to gostando, chega mais perto, me tira daqui por um minuto e me leva pra um sorriso.” No meio da atuação, a fã do Calipso, a mesma que se contorcia de dor, fazia uma força imensa para acompanhar a letra e quando parávamos ela continuava “do Belém do Paráááá”. E a gente se assustava com a surpresa de vê-la tentando cantar. As vezes parecia que ela fraquejava mas era nesse momento que chagava o impulso de energia mais forte.
Enfim, o que eu senti hoje foi incrível, surreal e difícil de explicar com palavras. Quis compartilhar com vocês por vários motivos, um deles é pra mostrar que as melhores coisas da vida são as mais simples e inusitadas. O nosso projeto é lindo, aproveitemos!
Beijos e abraços.
LUISA DE CASTRO

Festa de gala

     Hoje tivemos um evento palhaciano diferente. Clima de festa, convidados chiques, banda, comida, bebida, paparazzis... Uma noite de gala.
     Estávamos animados. Nos trocamos, maquiamos, aquecemos. Impossível não ficar feliz ao ver a maioria dos meus companheiros juntos, transbordando energia. E aí, dança pessoal. Todos juntos. Lindos. E a missão: falar feito poeta. Ah, Zé do Cabide vai se dar bem nessa!

     De repente, nos chamam. Vão para a festa! Direita, esquerda e depois direita. Tem uma banda. Já anunciaram vocês.
     Oi?
     A tensão tomou conta da maioria. Expectativa, apreensão, mais expectativa. Todos estavam esperando, e agora? Um momento de confusão. Zé do Cabide toma a iniciativa e com uma corda mágica sai puxando alguns. Agarrei a mão de Chechas. Vamos junto!
     Mas aí, como numa mágica, toda tensão evapora. Estamos no nosso mundo onde tudo é possível. O prato principal da noite podia ser folhas com rabo de camarão? As pessoas podiam brindar com garfos? Podíamos comer canapes (inclusive os do chão) e beber espumante? E o bacalhau e os docinhos? Claro. Tudo era possível.
     E naquela festa de gala, se viam desfiles de moda, trens que iam para não sei onde, palhaços correndo de um lado para o outro... Nem o reitor escapou. Billy Wood tratou logo de deixar ele à caráter com um colete fashion e um chapéu (sem esquecer da ecobag, claro).
     Dançamos, comemos, bebemos. De dança na boquinha da taça até ciranda. A ciranda foi linda. Uma grande roda com palhaços, garçons, convidados. Todos juntos, cantando, dançando, sorrindo.
     No fim, o que era tensão tinha se transformado em vontade. Vontade de ficar alí, de não dormir de novo. De continuar no jogo com aqueles companheiros maravilhosos. Tá certo que ninguém se lembrou de rimar, mas valeu a pena. Todos estavam conosco. E ficarão sempre.
     Muito obrigada!


Maria Olívia  :o)






Um sonho imPOSSÍVEL?


Era uma noite animadora e cheia de promessas de diversão. Pessoas estranhas circulavam e dançavam ao som de músicas. Todas felizes e contentes com seus novos amigos. Minha família estava comigo se divertindo e aproveitando as festividades. De repente, meus amigos, melhor meus “companheiros” surgiram no meio de todas aquelas faces estranhas, trazendo alegria e olhares mágicos que me atingiam e me impeliam a segui-los. Logo, um deles me veio com uma poção que gerava “AQUELA” energia...exatamente, aquela que fazia até mesmo o último dedão do pé mexer-se freneticamente. Enquanto eu hesitava quais as conseqüências de adentrar naquela porta mágica ao mundo das imaginações sem fim, meus companheiros tomavam e eu sentia por eles o seu corpo balançar e movê-los pela jornada do olhar. Logo, eles estavam com suas armaduras de guerra e As máscaras, que não eram feitas pra proteger seus rostos, mas para que eles não mais sentissem que havia um mundo além daquele mágico, em suas mãos prontas para usá-las. Foi aí que não hesitei mais e tomei aquela poção e me energizei! A energia me fazia tremer e dançar sem nem ao menos nenhum outro perceber..ela estava dentro de mim e mais ninguém via seus efeitos em mim.

Então, segui minha viagem para pegar minha vestimenta e minha máscara, as quais se encontravam do outro lado de onde me encontrava..para chegar lá, teria que percorrer um caminho extenso, mas tranqüilo..Ou assim eu pensava. Segui para lá acompanhado de uma companheira. Ela percebia que eu estava eufórico e sabia que para onde eu estava indo, não existiria mais o Rafael, mas sim Zé do Baile. Enquanto eu caminhava e passava por entre mais pessoas estranhas, eu começava a agir como o palhaço dentro de mim sem conseguir me controlar, uma vez que não estava com a máscara que me permitia adentrar nesse mundo mágico. Simplesmente agia com metade de minha força, pois a que me faltava estava naquela máscara. Cheguei!! Consegui alcançá-las..elas se encontravam junto de minha avó. Peguei-as e segui meu caminho de volta a meus companheiros para viajar junto deles. Enquanto isso a festa ia passando e a noite se esvaía aos poucos.

Comecei minha viagem de volta ao centro da festa..logo, encontrei com um menino que parecia querer seguir junto comigo na viagem. Nesse momento, meu corpo já não se controlava e eu já começava a me movimentar e pensar somente pelos instintos, somente com os sinais, mesmo sem estar caracterizado para tal. O menino parecia perceber isso e achava engraçado tudo isso..ele me seguia e me ajudava no caminho. Logo, comecei a encontrar obstáculos...meus acessórios simplesmente sumiam de minhas mãos e apareciam em lugares que me pareciam intransponíveis..com a ajuda de ajudantes surpresas (que iam de pessoas estranhas a até meu próprio pai) eu podia realizar resgatar meus adereços que compunham meu palhaço. E a cada objeto reconquistado, mais um sumia para que eu novamente tentasse recuperá-lo. Meu corpo estava ainda mais descontrolado..minha mente já era Zé do Baile! Resquícios apareciam para me dizer quem eram aqueles familiares que me ajudavam e me guiavam.

Quando eu finalmente havia chegado ao centro da festa..segui para um banheiro para lá encontrar a passagem secreta para minha viagem. Pus minha roupa mágica e coloquei aquela luz vermelha, viva e energizante em meu nariz. Agora nada mais me desprendia de Zé, porém eu não mais estava no centro daquela festa... eu estava dentro daquele quarto inicial onde minha avó estava com minha roupa e o nariz! No começo eu não entendi...mas logo que vi o sorriso de minha avó, eu percebi que era ali onde mais eu deveria estar.

Meu sonho se completou e eu acordei assustado. Meu susto era porque foi tão real tudo aquilo..todos aqueles obstáculos, aqueles sorrisos, aqueles olhares, aquela energia, que eu não conseguia acreditar que em uma hora tudo isso tinha acontecido e eu estava simplesmente dormindo. Porém, algumas coisas foram claras para mim. A energia quando eu acordei ainda estava em meu corpo. Levantei da cama ainda com Zé querendo acordar também..e nada tirava de minha mente que esse sonho foi mais real do que eu podia querer. Principalmente porque a minha avó não gosta de médico e ela sempre me diz desde que eu entrei para o projeto, que só iria ser atendida por um médico quando fosse Zé do Baile a atendê-la..e aquele sorriso dado por ela foi tudo que eu poderia querer ver na realidade.

Não pude deixar de escrever sobre esse sonho real em minhas anotações. Talvez porque ele fosse tão mágico quanto as atuações com todos os encontros seguidos de olhares atraentes e vivos são para mim. Também foi engraçado perceber que os obstáculos me lembravam tanto os desafios que vivíamos dentro das atuações...e como sempre tinhamos um de nossos companheiros para nos ajudar a sair deles ou a vivê-los!

Rafael Kim.

Não tenho o lirismo do nosso amigo Zé, nem o dom das crônicas de Olívia. O que vou escrever aqui são apenas minhas impressões da última atuação.

Era uma quinta, iríamos filmar a atuação para o documentário. Cheguei no Maria Lucinda nervoso com a responsabilidade de ‘representar’ vocês e todos os outros que já passaram por esse Projeto em frente às lentes. E estava cansado; aquela tinha sido a semana mais cansativa desde que eu entrei na Universidade.

Acertamos alguns detalhes, filmamos algumas cenas e aí dou lugar a Dracolino, exibido e pronto pra viver aquelas experiências só possíveis de existirem ali. Boa atuação. Fora o prazer de atuar com minha irmã e nossa matriarca pela primeira vez.

Ao fim da atuação, desço o nariz. Que diferença! A primeira coisa que lembrei foi o título do nosso resumo do Cobem: O universo do palhaço e a sua capacidade transformadora. Não acho que a gente poderia ter encontrado algo mais apropriado.
Bruno
"Maria Lucinda, 12/07/2011

Hoje, amanheceu um dia chuvoso e frio. Não era meu dia de atuação oficial, mas queria muito atuar, então fui junto. Acordei às 7h. Se fosse para ir pra aula, não levantava. Tava cansada da viagem de ontem. Mas, recentemente, descobri uma coisa que me faz levantar da cama a qualquer hora: atuar.
Cheguei ao Maria Lucinda às 8h. Os meninos se atrasaram um pouco por causa da chuva. Chegaram perto das 9. Trocamos de roupa, nos maquiamos e começamos a aquecer. Na nossa dinâmica do dia, só podia falar que tivesse com a bata. Começamos a aquecer todos em silêncio. Não precisei de música pra subir a energia. Quando a música começou, só faltava colocar o nariz para ser Chiquita completamente.
Saímos pela enfermaria que não tinha ninguém. Quando chegamos ao hall, muitas pessoas estavam esperando. Jogamos com algumas delas, um menino que tava com o braço quebrado, um senhor que foi chamado para pegar exames, outro que chegou pra jogar pra gente. Esse último disse as palavras mágicas para passarmos pelo portal. “Não sei”.
Quando estávamos pelo corredor, passamos pela brinquedoteca. A porta estava aberta. Quando olhamos para dentro, encontramos uma menina. Nos olhamos na mesma hora. Foi muito bonito. O rosto dela e iluminou e ela abriu um sorriso. Entramos e começamos a jogar com ela. Seu nome era Gabriela. De repente, ela estava em frente a um espelho com o colar de Chiquita, o chapéu de Zé do Cabide o os óculos de Zé da Palhoça. Ela ficou um bom tempo se olhando no espelho, sorrindo. E aí, ela foi procurar uma coisa que faltava. De dentro de uma caixa, pegou um nariz vermelho. Agora, ela estava igual a nós.
Fomos depois para o corredor da enfermaria cirúrgica. Entramos em um quarto que tinha uma menina, já adolescente e os pais dela. Na mesma hora, Gabriela chegou. Ela estava naquele quarto também. Ela se juntou a nós. Começamos a fazer jogos com a menina que estava na cama. Ela estava escutando música no celular. Peguei o celular e botei no ouvido. Começamos todos a dançar. Gabriela também. E aí, a dança se transformou em um jogo de tocar um no outro e ir trocando. Foi muito emocionante quando Gabriela entendeu o jogo. Ela era apenas uma menina, devia ter uns 5 anos, mas comprava todos os nossos jogos. Foi um dos melhores encontros que já tive.
E aí, vimos pela grade Assunção e Daniel sentados tomando sol. Começamos a jogar com eles. Fizemos várias dinâmicas. De cochichar segredos um no ouvido do outro, de colocar música para dançar. Os dois se divertiram muito.
Depois, chegamos até outra ala que nunca tinha ido. Era uma enfermaria neo-natal. Quando entramos, tinha três mães com três meninas. As meninas estavam dormindo e ficamos jogando com as mães. Cantando músicas, dançando. E uma das mães falou: “só eles mesmo para nos fazer sorrir, não é?”. Foi muito gratificante ouvir isso. Não pelo fato do fazer sorrir. Mas sim por termos conseguido conquistá-las e sentir que elas estavam no jogo, estavam conosco e ficariam conosco sempre, da mesma forma que ficaremos com elas.
E aí, apareceu um menino que estava com um curativo na cabeça. E começamos a marchar atrás dele. Mostrei o curativo dele e o chapéu dos meninos. Ele também tinha um chapéu. Ele nos guiou para outra enfermaria, onde encontramos um menino que estava com um livro de historia e começamos a criar uma história. Tinha um menino que só falava “não sei” e ele tinha um cachorro que fazia “au-au”.
Depois, encontramos Dara. Ela devia ter uns 15 anos. Zé do Cabide disse que ela era muito bonita e achou uma foto dela cantando. Pedi para ela cantar uma música. Ela disse que não. Eu insisti e ela fez: “tá, só uma”. Sua canção falava sobre superação. Não me lembro da letra. Mas falava sobre alguém que tinha enfrentado muitos obstáculos, atravessado desertos e quem a via sorrir não imaginava isso. E ela tinha conseguido tudo isso por que Deus estava com ela, abençoando, abrindo as portas, ajudando. Fiquei arrepiada na hora. Uma emoção muito forte. Todos nós nos entreolhamos compartilhando esse sentimento. Achei que a música tinha tudo a ver com o que Dara estava vivendo. E que ela encontrava forças em Deus. Não sou religiosa, mas tenho fé e penso que quando acreditamos em alguma coisa, realmente adquirimos forças para superar as adversidades. Foi muito bonito esse momento e também me marcou bastante. Ainda passamos bastante tempo jogando com Dara e todos dissemos o núcleo do dia: “lindo”, “maravilhoso”, “fantástico”, e Dara disse: estou muito feliz de ter conhecido vocês. O sentimento foi inexplicável.
Na última enfermaria, chegamos na hora da medicação. Jogamos com uma menina, ela tinha, no máximo, um ano. Quando ela encontrou Zé do Cabide, ela começou a sorrir. Todos nós conseguimos conquistá-la. Incrível esse momento. Como conseguimos conquistar até uma criança de 1 ano de idade.
Achei essa atuação mágica. Foram momentos que vão ficar na minha memória sempre. Tocaram-me imensamente. Talvez tenha sido hoje a primeira vez que eu senti a grandeza do que fazemos. Que eu me reconheci da forma mais intensa como Chiquita Palito.
Fico por aqui, com uma alegria e uma satisfação enorme no coração."


Maria Olívia

A poesia que se faz do jogo...


Em uma das minhas atuações no Hospital Maria Lucinda,muito me emocionou,a mim e meus companheiros,um olhar de um garoto que nos presenteou com instantes mágicos de felicidade e cumplicidade,transformando um corredor branco e sem muita vida daquele hospital em um verdadeiro...
vocês entenderão no texto abaixo:

Amarelo

Como obra estrategicamente pensada,num corredor silencioso e calmo,uma linha amarela surgia e um garoto curioso sobre rodas andava...

_ Um passo a frente! Um senhor de nariz vermelho ordenava...
como se fora uma seleção,apenas o de amarelo seguiria,o que para o garoto não era impedimento pois amarelo ele vestia

O jogo era construído ao passo do nariz vermelho,essa máscara que desperta aquela tal nudez desavergonhada e a deliciosa arte da inocência compartilhada...

Era chegada a hora!

Danças,canções,palavras,cenários,saltos,bichos imaginários... Olhares!
Ah... os olhares!
Aqueles faróis que iluminavam nossos passos e que suficientemente abastecidos guiavam os passos daquele reino imaginário...

Um sorriso anunciava seu governo... astuto declarava:
_De mim parte a lei!
Só a ele caberia a face... uma face que do amarelo seguiu a ordem e que em multicores respondeu seu nome:
_Chamo-me Júnior meu senhor! Posso saber a sua graça?

O senhor concentrou-se naquela criança maravilhada e abaixando-se ao nível do encontro dos olhos serenamente respondeu:
_ Júnior! Essa é a minha graça...

O garoto um tanto confuso acenava enquanto o senhor engraçado se afastava e mal sabia ele que naquele instante infinitos corpos de amarelo foram pintados.


Wellington Filho


Payaso Sagrado

O trabalho de clown exige dedicação e pesquisa permanente.
Na busca pela profundidade e essência do trabalho,
uma leitura é fundamental. Esta aí, ó:

O texto El Camino del Payaso Sagrado
de Peggy Andrea, disponível no link
traz informações belíssimas sobre o papel do palhaço nas sociedades americanas nativas.

'Con la llegada de los "invasores", este ente sagrado llegó a ser uno de los más peligrosos — tal vez más peligroso que el del Guerrero.'



Triste était le clown d’être fou, fou était le clown d’être triste


Olá, olá!
Navegando no ócio internetístico,eis que descobri uma
música lindíssima de Mademoiselle Piaf,uma singela homenagem a nós, les clowns!

Quem quiser treinar o biquinho,segue aqui o link da letra.

Aproveitando a temática francesa, achei um site do STUDIO MULLER de formação de atores (em Paris, chorem!),que tem um breve script da oficina de formação em palhaço que eles fazem.
O texto é pequenininho, mas serve como boa lembrança dos passos iniciais de nosso trabalho! Mais informações em http://www.studio-muller.com

O trabalho físico
Desenvolvimento da consciência corporal e do espaço
O que é o movimento? Como encontrar um corpo expressivo e legível? E sobre o ritmo interno ou externo? Como vamos nos comunicar através do movimento?

Tirando o corpo do chão e através de restrições precisas,o 'estagiário' irá integrar a necessidade de agir ou reagir de acordo com o tempo e situação. As ferramentas apresentadas neste trabalho nos levarão ao clown.

Quem é é o palhaço?
O palhaço tem sua origem em nós mesmos, refletindo nossas raízes, nossa experiência, nossos caprichos e comportamentos.
Sua existência em cena depende de sua capacidade de receber e aceitar as reações do público, brincando com isso.Através de jogos e exercícios direcionados, nós desenvolveremos pouco a pouco as chaves que permitirão ao aluno entrar na improvisação clownesca.

Post chic, a gente vê por aqui.
Bisous!


Medicina, Cultura e Arte

Mesmo atrasado, não podíamos passar sem esse registro!

No último feriado de 12 de Outubro, o Palhaçoterapia embarcou para as gélidas terras de São Paulo
para o queridíssimo 'Encontrão' promovido pelos estudantes de Medicina da Faculdade do ABC - voluntários do Projeto Sorrir é Viver.

Foram três dias de discussão sobre o Resgate da Humanização da Saúde, com direito a participações de representantes do Instituto Gesunheidt! do Dr. Patch Adams, palestra com Wellington Nogueira
(Doutores da Alegria), Dr. Fábio Tozzi (Projeto PSA), Médicos sem Fronteiras e o nosso querido Marcelo de Faria - fundador do Palhaçoterapia entre os estudantes de Medicina do Brasil (e agora já médico pediatra em Curitiba!).




Fizemos novos amigos, participamos de oficinas e voltamos renovados
para aquecer as turbinas do nosso Projeto.



E o próximo? Onde vai ser?





(Mari, Marcelo e André)

Rede transnacional Smile-X


Pessoal, esse vídeo foi apresentado na 58ª General Assembly da IFMSA
(mais informações em www.ifmsabrazil.org) em Agosto de 2009, num fim de Mundo
chamado Ohrid - Macedônia!

É claaaaro que ele deveria estar aqui.

Grande concurso do Triênio PalhaçoTerapia


Mari diz:
manow
ei
bora fazer um concurso no blog
que envolva todos que já passaram
dá uma idéia aí
Camila diz:
concurso?
txipo como?
concurso, concurso?
Mari diz:
tipo
o palhaço mais num sei quê lá de todos os tempos no projeto!
Camila diz:
entao seria uma votação?
Mari diz:
e porque não dizer: seria uma votação!
Camila diz:
concurso pra mim é: quem disser a frase mais criativa ganha um nariz!
essas coisas...
envie codigos de barra para o endereço. @clown e concorra a:
1 palestra de rafael!
mas ai ne
ng ia querer
Mari diz:
hauhauahua
Camila diz:
entao
vamos votar realmente
vai la
bem te apoio
mas acho q vai fazer: cri, cri, cri
Mari diz:
vamos só ver

É isso aí, pessoal!
Para provar que Camilão está errada... vamos fazer essa votação bombar em comentários!
QUEM FOI O PALHAÇO MAIS NUM SEI QUÊ LÁ DESSES TRÊS ANOS DE PROJETO?

I Encontro Estudantil de Palhaçoterapia

Coisa boa, tem que ser falada 1oooooo vezes!

Entããão...

Vamos colocar aqui também umas fotos do badaladíssimo
I Encontro Estudantil de Palhaçoterapia,
que aconteceu junto com o I Congresso Norte-Nordeste de Humanização em Saúde e
o II Congresso Pernambucano de Humanização em Saúde, de 18 a 21 de julho no Centro de Convenções de Pernambuco.

Destaque para André, na mesa de convidados - cerimônia de abertura!


A programação das nossas sessões foi um SUCESSO (rá rá, modéstia, essa galera)! Contamos com convidados mais que ilustres - o já consagrado Rafael Barreiros, a mestra das mestras Joice Aglae, o amigão Gilberto Trindade e o querido Allan Denizard (A-llâân e não Á-llan), além de representantes de projetos de Humanização/ Doutores-palhaços de todo o Nordeste (e até um de Minas Gerais, uai!).

E que coisa boa foi ver o representante do Programa de Humanização do Ministério da Saúde, Dr. Dário, descendo até o chão na consagrada 'oração' da TRIBO HAKAS! [Um salve 'pros pessoal' da Austrália!]

O saldo foi mais que positivo!

Para os Palhaçoterapeutas de 2010, o semestre já começou cheio de aprendizado...
Para os 'mais velhos', esse Encontro foi a realização de um grande sonho.

E que tenha sido uma sementinha vermelha no coração de todos que participaram... Que surjam novos projetos! Novos palhaços! Novos Encontros!

E um muito obrigada à professora Tânia!

Contra-atacar!

Nada como organizar a bagunça...
Nosso querido bloguinho estava aqui escondido e inutilizado.
Logo agora, nos tempos de orkut-twitter-facebook-peixeurbano!
#comopode

Após a reunião de hoje, num momento de extrema hipoglicemia e inanição...
Resolvemos tirar a poeira desse instrumento tão precioso (palavras de Rafa, claro)!

E sobrou pra quem?
Para a velha aposentada Dona Catraca - que manda avisar que aqui é casa de vó
(desculpa o trocadilho Filomena)
Ou seja, lugar para 'corações abertos', depoimentos piegas, fotos comprometedoras, receitas de bolo
"Ô, coisinha linda da vovó!"

É espaço também para as visitas, sempre BEM-VINDAS!
Podem olhar, chorar, opinar, compartilhar.

E vamos em frente, nessa corrente do bem.
Trabalhosa, pesada, infinita.

Inquebrável!