Entrelaçados

Entrelaçados

Sobre espaço

Por Renato Lucena

Ao tentar fazer esse diário, peguei-me pensando em mim mesmo como um escritor, quanta pretensão a minha. Comecei a pensar em um texto e na sua unidade fundamental, o pensamento. Pensamento este que passa a ser incorporado a cada palavra posta naquela folha de papel que antes estava estava em branco. E é preciso saber que há alguns pensamentos maiores do que outros, e dessa maneira, há algumas palavras maiores do que outras. Sendo assim, cabe ao escritor, o grande maestro dessa orquestra linguística, medir a necessidade do devido espaço que cada palavra requer. Afinal, sendo cada uma delas fruto de um pensamento diferente, possuem necessidades que as diferem umas das outras.

E é assim que eu vejo cada um de nós, cada um sendo um participante dessa ciranda dançante que, a cada encontro precisamos reconhecer o espaço e a necessidade do outro, e ate de nós mesmo. Pois cada um dos aqui presente, cada um dos pacientes que se encontram no setor, são frutos de experiências de vida diferente, e cabe a nós, artistas do encontro, a incumbência de reconhecer.

Diário de Bordo

Por Cecília Brito em 06/07/14

06/07 - procape - Hortênsia Clorofila


É inacreditável o que o projeto faz com você, o quanto você se apaixona por ele, o quanto você passa a adorar tudo relacionado a ele, o quanto você passa a amar um nariz de látex vermelho. Atuar é absurdamente maravilhoso. É que nem beber chocolate quente e se sentir aquecido por dentro. Não é um êxtase histérico o que você sente no fim da atuação, mas mais uma felicidade calma e absoluta. É sentir que você pode tudo quando é clown, falar qualquer língua que seja (mesmo que seja libras, ou uma língua que nem existe), fazer quem não fala começar a tagarelar, dispensar o médico e fazer os exames você mesmo (eco-ô-ô). É um formigamento que você sente por dentro só de lembrar da atuação. É mesmo sem lente de contato enxergar melhor do que com óculos. É que nem ter um segredo que ninguém mais conhece, mas que você se sente mais especial só por saber que ele está lá. É sentir que você faz parte de algo tão absolutamente verdadeiro. É descobrir que você tem os melhores companheiros do mundo. É se sentir mais você a cada atuação, se sentir mais em essência depois de cada visita ao hospital. É saber que você pertence àquele lugar e que é ali que você devia estar. É como encaixar mais um pedaço em um quebra cabeça e ver que ele cabe perfeitamente. É amor em essência com felicidade verdadeira

Diário de Bordo

"Era uma vez um montããoo de gente ( que depois virou um montinho!) que queria ser dotô! Mas dotô somente? Era tãão poquinho.. Eles queriam ser dotô de nariz vermelhooo! Foi aiii q alguém disse que pra conseguir esse nariz tinham que procurar um tal de um pato. Maaaas, cadê o pato? Procuraram, procuraram e nada! Foi aiiii que surgiu um cara que dos loucos parecia o pior, mas pelo menos uma coisa era certa, ninguém podia dizer q ele não tinha nada na cabeça (um cabelo como há muito não se via..)! Esse tal veio com uma viagem que pra achar esse nariz eles tinham que gerar energia, brilhar o olho e não mentir pra eles mesmos..! Como eeeeeeeeeeh? "Pra mim agora eu sou uma hidrelétrica, um colírio e, além do mais, eu minto e sou enganado (ao mesmo tempo!!)!!", pensaram eles. Mas então né, já que já estavam por lá mesmo ( cansados e suados!), resolveram comprar a idéia.. Cocoricó pra lá, ragatanga pra cá e eles começaram a entender... E aí o que ainda agora não era, já tinha sido! Quem conseguiu mesmo embarcar já não voltava mais.. os narizes vermelhos já estavam neles e eles nem tinham notado! Pronto.. eles agora eram mais.. dotô-palhaço ou palhaço-dotô? Já nem importava mais.. era tudo uma coisa só!"

Kika

30/08/12

Para sempre...

Por Osvaldo Carlos

Eu lembro do que me dava quando ouvi pela primeira vez a voz de mestre ancião de Gentileza, tudo soava tão novo, tão belo, tão maravilhosamente mágico... Parecia que tudo podia acontecer, tudo ia acontecer, tudo aconteceu...

Tudo aconteceu quando a vi pela primeira vez, ali na casa de quem se tornaria um dos melhores amigos que já tive, não sei... Me chamou a atenção, deixei pra lá... Tudo ia acontecer quando derepente ela tava ali fazendo oficina comigo. Tudo aconteceu quando em mil olhares, só o dela me encheu de energia... Então amiga, de narizes vermelhos, somos um, diante de mil raposas eu sei quem é você... Sabe aqueles momentos que acontecem na sua vida e você nunca mais esquece? Aqui vai um que tenho com você... Dorotéia sabe que Florêncio gosta de apertar no botão de álcool gel, Dorotéia para na frente do botão do álcool gel, olha pra Florência com uma cara de traquinagem, que até hoje não esqueço, e aperta no botão de álcool gel. Desculpa Gentileza, sei que todos devem ser meus melhores companheiros do mundo, mas não fica chateado se eu disser que ela tem o posto de melhor melhor companheira do mundo... 


E então melhor melhor companheira do mundo? Te devo uma resposta não é? Então vou contar uma história...
"Era a vez um Principezinho que viaja entre planetas, entre suas viagens ele visitou um planeta formado por melhores companheiros do mundo, narizes vermelhos, energia e brilhos no olhar, nesse mundo eu te encontrei, nesse mundo virei eternamente responsável por ti, nesse mundo corro o risco de chorar, nesse mundo já não te vejo quarta-feira, mas te vejo agora, nesse mundo de chão respiração, maia disse, onças, castelos, cordas, picadeiros e afins. Na dúvida corre Dorotéia, corre e chama Florêncio pra junto."


Diário de Bordo

Por Camila Aguiar

Nem todos vocês me conhecem ainda, desculpem-me a ousadia, mas queria me apresentar: chamo-me Anita Vento Leve e é, para mim, uma grande DÁDIVA poder estar aqui com vocês.

Fui gerada recentemente e tive sérios problemas com meu batismo. Dizem que o nome da gente é uma oferta pros outros, afinal, passa mais tempo na boca alheia do que sendo proferido por nós mesmos. Hoje acredito piamente nisso, afinal depois de infinitas idas e vindas ao paredão de um certo teatro, em um certo lugar tão tão tão tão distante, finalmente Vento Leve chegou às pessoas.
E, sabe, ouvir meus já 'melhores companheiros do mundo' gritarem "uhhh é Vento Leve, é Vento Leve!" foi semelhante a estar numa multidão se sentido solitária e anônima e, de repente, ser encontrada por alguém que te quer bem. Indescritível, apenas 'sentível'.

 Bem, o fato é que pouco me conheço ainda: sou um "baby", como dizem os "dinos"daqui... Mas pude ver, durante minha gestação que sei rodopiar e, se houver água, a Vento Leve , aqui, brinca até de ser tufão! Mas somente às vezes, confesso. Outra coisa que gosto são de palavras! O meu nome, Anita, é uma forma carinhosa pra Ana que, no hebraico, significa cheia de graça. No início achei meio estranho: eu? Cheia de graça? Tá fácil, hein?! Tão engraçada essa palhaça aqui... Mas aí deixei o tempo maturar o significado das coisas e eis que veio nossa primeira atuação.

 Olinda, oh linda, "eu tô lindão". Sabe, se proteger e fugir da chuva embaixo da capa do Tico, interagir com xing lings e o universo numa manhã, tentar segurar Peithon pelo seu centro de massa, encantar-me com crianças tocando Asa Branca, ouvir uma senhorinha dizer que não podia rir muito pra dentadura não cair, dentre tantas outras boas histórias, fez-me entender o real sentido de "cheia de graça". Cheia de graça é como fico após nossos encontros, cheia de graça é como hei de ficar nas nossas 'atuações', cheia de graça é a vida extraordinária que terei após esse meu nascimento meio incômodo.

 Extraordinária ( já podem dizer: lá vem Anita com as palavras!) pois é extra (=além, bem além do que imaginava) do ordinário (=do comum que de agora em diante já não é mais). Que meu crescer, que o nosso crescer, seja extraordinário pois já está sendo ao lado da turma 120, ao lado de vocês, conhecidos ou não, mas já melhores companheiros do mundo.

Com amor,
Anita Vento Leve

Diário de Bordo

Por Victor Romero em 25/06/14

"Vamos humanizar" TENÓRIO, Cristiene. "E o que seria necessário humanizar professora?". "Você tem que escrever uma metodologia, uma apresentação de slide, varios reiks e ayuverdicas intrinsecas e um bando de tempo." Pois é, até quando gente grande tenta ter mente de gente pequena parece que faz tudo errado. E depois de tanta metodologia, estresse, e tantas teorias por trás dessa humanização, durante uma atividade que a principio seria de leitura para crianças de maneira dinâmica se transforma no verdadeiro sentido de humanizar. Humanizar é você subir o nariz e se sentir abraçado por cada membro desse grupo. Humanizar é tá longe mas tá perto. Humanizar é saber que o preço de ser cativado é ter aquela carta para jogar, mas o seu companheiro não tá perto, mas você vê naquele paciente na sua frente, a personificação desse companheiro. Humanizar é que ao personificar no paciente o seu companheiro, e atinar que sem o seu companheiro você não é nada, você acaba se encontrando no paciente. Humanizar é esse pequeno infinito que se forma entre duas pessoas. Humanizar é saber que nesse pequeno infinito, existe o essencial que é invisível, que mesmo teoricamente sozinho, você sente a energia de mais de uma centena de olhares em projeção na ponta do seu nariz. Humanizar é algo que não precisa de metodologias, pois a menor intenção de ser bom, ser humano, já é humanizar. Humanizar é aquele sentimento de uma lagarta que passou um inverno em projeção e se abre para a primavera. Humanizar é se entregar ao outro, mesmo que se lance num salto no escuro, porque você sabe que mesmo que você caia nesse escuro, o outro te levanta para a maior viagem até o Sol. Humanizar é amar, sem arrodeios. Humanizar é ter um amor destituido de caracteristicas, amor bandido, amor roubado, pois amor de verdade só é amor. Humanizar é saber que é nesse pequeno infinito que você fecha os olhos, e refletindo a janela da sua alma você consegue ver esse essencial tão invisivel. Invisível a tanta gente grande que inventa de enfeitar esse "Humanizar". Humanizar é amar...


Ps: Termino com reticencias, pontos finais são para textos metodicos e apresentações de slides. Qualquer texto que se termina com esse verbo devia terminar com um reticencias. Nada que vem de amor se pode terminar com um ponto final

O baralho

Por Matheus Almeida

Umas épocas atrás, quando tive que crescer e comecei a esquecer certas coisas para poder aprender outras, a vida me deu um papel enorme, me mandou recortar em pedaços e criar cartas de um baralho. Fiz vários naipes, de várias cores, com muitos desenhos diferentes. Cada carta me dava um superpoder: umas me permitiam atacar, outras me defender, umas eram mágicas e faziam com que me tornasse um gigante ou até mesmo ficasse invisível. E eu conhecia cada uma dessas cartas a fundo, porque as criei com coisas de dentro de mim.

No dia anterior de oficina, precisei jogar cartas com outra pessoa, e percebi que EU conhecia muito bem aquele baralho, mas a outra pessoa ficava perdida, porque não conhecia as cartas como eu, que as tinha criado. Por ter levado sempre esse baralho no bolso, tenho que aprender todos os dias que devo levar para a outra pessoa não o meu baralho, mas um novo papel em branco, tesoura e pincéis de várias cores para criarmos as nossas próprias cartas, permitindo um infinito de novas possibilidades que um possa apresentar ao outro, um baralho que nos permita jogar um jogo único e nosso.

Diário das estrelas

Por Renato Lucena em 15/05/14


 Dançar livremente é algo totalmente novo para mim que sempre tive vergonha e fazê-lo, sobretudo no escuro, fez-me lembrar de uma história que eu queria compartilhar com vocês.

 Eu sequer era alfabetizado e já usava óculos, sempre tive uma miopia muito forte. Quando tinha por volta de 11 anos minha, minha mãe comprou adesivos que brilhavam no escudo e que tinham a forma de corpos celestes. Ela os colocou no teto de meu quarto para que, quando eu fosse dormir, eu visse aquelas formas brilhantes. No entanto, nessa época eu já tinha por volta de 4 ou 5 graus de miopia e quem sofre esse mal sabe: seria impossível diferenciar qualquer forma luminosa no teto, passando a ser simplesmente esferas brilhantes, uniformes e desfocadas em um teto distante.

Dessa maneira, por muito tempo foi um dos meus maiores sonhos foi representado pelo desejo de, ao ir dormir, poder ver tudo que estivesse brilhando diante dos meus olhos. Vocês podem se perguntar a razão pela qual eu estaria contanto tudo isso aqui para vocês. Foi que, durante a dança em total escuridão, vocês permaneceram lá brilhando para mim, mesmo que eu não pudesse ver nenhum de vocês, mas enxergava a todos, afinal, o essencial é invisível aos olhos, não é mesmo? Eu só quero dizer que, a cada dia que se passa vocês se tornam minhas estrelas brilhantes, as formas celestes que nem sempre poderei ver, mas sempre irei enxergar. 

Será que o sonho virá?

Por Luisa de Castro

Vou começar pelo fim: a emoção calou-nos. Sabíamos que era a hora de parar, até porque seria difícil superar a emoção daquele momento puro e simples, tanto que não precisou de  nenhuma palavra para explicar que tínhamos que nos recolher. Em sintonia e em silêncio, tiramos o nariz, mas a sensação de ter vivido um dos momentos mais intensos do palhaço fazia com que a gente continuasse se olhando pra acreditar na beleza do momento que tínhamos acabado de presenciar. Foi do inesperado que nasceu uma flor de vontade de viver. E quem ia acreditar que daquele corpo sofrido e com aspecto de dor terminal sairia uma força de vida tão intensa? É, porque pra mim os explosivos berros que tentavam acompanhar nossa canção eram muito mais do que gritos sem ritmo ou afinação, eram um desabafo de quem gosta de viver e de quem, talvez, sente saudade de sentir o prazer da vida sem agonia. Ela era jovem, mas parecia uma criança... Criança daquelas que não cansa. E era como se no intervalo da dor nós fôssemos o ópio que a aliviava – uma verdadeira insustentável leveza do ser. No início e no fim ela apertou nossas mãos, as mãos dela estavam quentes e ela apertava sem soltar e nos olhava bem no olho como quem diz: “eu to gostando, chega mais perto, me tira daqui por um minuto e me leva pra um sorriso.” No meio da atuação, a fã do Calipso, a mesma que se contorcia de dor, fazia uma força imensa para acompanhar a letra e quando parávamos ela continuava “do Belém do Paráááá”. E a gente se assustava com a surpresa de vê-la tentando cantar. As vezes parecia que ela fraquejava mas era nesse momento que chagava o impulso de energia mais forte.


Enfim, o que eu senti hoje foi incrível, surreal e difícil de explicar com palavras. Quis compartilhar com vocês por vários motivos, um deles é pra mostrar que as melhores coisas da vida são as mais simples e inusitadas. O nosso projeto é lindo, aproveitemos!



Beijos e abraços.



Luisa de Castro

Diário de Bordo

Por Flávia Xavier em 25/08/13

Eu precisava disto. Eu precisava destas 2h e 40 minutos com Natália, Mari e Renatinha reveladas entre narizes, grande ou pequenos, e entre olhares curiosos que buscam incessantemente o outro. Esses revelavam Valentina Pernafina, Nina Stronger, Lolita e eu, Tareco.

Minha satisfação foi imensa, encontrei a mim mesma em cada jogo, em cada criança que tinha exageradamente energia. Maciel com sua sandália de Homem Aranha não seria o mesmo sem aquela gaze na mão fazendo jus à teia de Aranha. O “ser palhaço” não é explicado pelo uso do Nariz Vermelho, exige, sem dúvida, inúmeros “porquês”. Fomos à procura desses “porquês”. Nada melhor do que encontrar o “porquê” no polegar de Gabriel, era um “porquê” que passeava pela mão e pela cabeça dele acompanhado de gargalhadas e terminou em formiguinhas guardadas em nossas mãos. Gabriel criou o jogo lindamente
.
Tornamo-nos DANIZETES, dançarinas da dupla Daniel e Assunção, os quais, à princípio, iriam nos remunerar com 10 centavos, muito aquém de uma dupla que faz, diariamente, show para 100 mil pessoas em casa. Fomos em busca de mais DANIZETES, as que encontramos nos disseram não saber dançar.

Alugamos um carro de excelente qualidade e tentamos tomar banho em minúsculas bacias, descobri que, assim como Marcelo, Tareco não gosta de banhos. Fomos apresentados a todo charme de João, com seu traje de garrafa de água de 500ml, e ao seu amigo, rapaz de nome bíblico, Davi. Como esse leito estava um perigo, com paciente, agora à La “Buenas tardes”, pulando da cama por causa de bala, resolvemos sair depressa. Deparamos-nos com uma mulher usando sapatos ideais para Lolita; ela nos disse que encontraríamos iguais àqueles em Ouricuri. Como nessa terra o calor é de rachar, seguimos o sol, descemos uma escada, já que a cidade é bem interna, lá no interior. Em Ouricuri conhecemos jogador de futebol, artista e até uma pincesinha Emily que estava nos braços de quem nos fez emocionar. Gratidão eterna àqueles olhos marejados e ao abraço de Nati na mesma.

Voltamos, meticulosamente, como quem não quer nada, pelo refeitório. Realizamos o desejo de acampar com pessoas que estavam há mais de 2 horas aguardando a conclusão da cirurgia.

Promovemos desfiles com o abrilhantamento de Raissa e Giovana. Nunca esquecerei, principalmente, dos sopros e abanos coletivos para sanar o queimor que a dipirona intravenosa causava. Nada mais compensatório que ver o choro silenciando e um sorriso, meigamente, ocupando o rosto daquela menina. Foi lindo demais.

Gabriel nos emocionou novamente com a alegria de viver.

Agradeço, com carinho, a esses e a outros pacientes do Maria Lucinda e às melhores companheiras do mundo: Natália Torres, Renatinha e Mari. Desejo para nós e para todos palhaçoteraupetas uma contínua busca dos “porquês”.

Flavinha

Diário de Bordo

Por Cindy Souto em 31/05/14

Diário de Bordo nº 11

Com vocês eu aprendi...

Que se tiver com medo, vai com medo mesmo! Não existe maior picadeiro que a vida.


Que são necessários apenas 20s de uma loucura insana pra dar um salto no escuro com toda vontade que eu tiver, afinal quem melhor que o Messier Gentileza e os melhores companheiros do mundo pra me guiar?


Que é possível, sim, transformar a queda em um passo de dança... basta ser mais confiante.



Que o cuidado é fundamental, assim como o respeito, não somente com meus futuros pacientes, mas com os melhores companheiros, família, amigos e todos que me cercam.



Que é importante perceber o outro pra não invadir o seu espaço. Tudo é melhor com o consentimento do outro... é como abraçar o infinito



Que o jogo é mais importante que a jogada e quando ele é bonito até quem perde saí ganhando.



Que ser árvore também é bom, comprar o jogo, se arriscar.



Que nossos planetas são muito mais parecidos do que imaginamos.



Que o encontro de um olhar pode me mostrar o infinito, pode me mostrar os mais belos sentimentos, pode me mostrar que tudo que eu quero eu quero muito, pode me mostrar que é possível voltar no tempo e ver o brilho nos olhos de uma criança.



Que Nietzsche tinha razão... "Aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música".



Que nem mesmo uma "guerra civil" separa olhares brilhantes.



Que o meu medo pode ser posto pra dormir.



Que as bolinhas de energia estarão sempre lá... em uma caixinha 4 dedos abaixo do meu umbigo.



Que a sensação de subir o nariz pela primeira vez vai ser sempre indescritível.



Que a nossa radiola tem os melhores cantores do mundo.



Que Dádiva descreve bem tudo que nós vivenciamos e construímos.



Que tudo que aconteceu ontem vai ser impossível de esquecer



Que quando se fala em melhores companheiros do mundo são os MELHORES mesmo! Sem sombra de duvidas.



E que "A gente corre o risco de chorar quando se deixou cativar".



Cindy Souto

Diário de Bordo

Por Ana Catarina Antonino em 25/11/13

Olhares, olhar, desafio, casaco-de-guerra, cai, ajuda, brilha, nariz, brilha mais, fechadura, curiosidade, susto, zé-do-olhão, prepara, colete-escudo, descobre... descobre que o olhão é amigo, descobre que são quatro olhões, descobre que estavam fingindo, descobre que vão te cercar, FOGE! Te informaram de um botão, aperta o botão, juntas, mãos dadas, CHOQUE COLETIVO, campo de força, fogem mais, fecham a porta, UFA! Encontram. Zé-do-olhão? Não, vigias. Estamos salvas! Exploram, avistam, fortaleza (Castelo? Muralha?), raiox, fechado, seguem, corredor, botão, choque, campo de força, suspeita, armadilha! Devagar, energia baixando, NÃO! Outro botão, recarregar, seguir, portal de energia, travessia, não precisamos mais do botão. Por que será? Descobrimos. Mágicos! Um misterioso não falava, mas dizem que foi cortado ao meio e reemendado, não revela o truque. Outro risonho, como se apresenta? Só faz rir. Ainda um humilde, apontava outro grande mágico. Rosalinda animada chega junto do Grande Mágico e recebe uma coisa na mão. Bênção? Maldição? Disfarce... Ai, ela está ficando com a cara ameaçadora! Corremos! Dela e, depois, junto com ela.

Agora tem uma moça. Ela controla o que entra e o que sai DE COMIDA! EU QUEEERO! Passou. Poooxa, foi embora );
Chegamos à porta de uma sala escura. Queremos saber o plano das pessoas lá dentro. Sai uma, e aí? Plano do silêncio!

Mas espera aí! Foi essa semana ou na passada que encontramos uma máquina de lavar menino e um rapazinho ameaçador? Ficou tudo misturado agora.

Seguimos, achamos uma escada, mas como descer? Alguém vai descer! Aaaah, é assim. Assim, assim, assim, assim, assim, assim... Opa! Uma igreja. Cadê o padre? Paaadre? Paaaadre? Só freira? Agora! Chegou. Bença padre? "Deus te abençoe e te faça médica." Oba! Vou ser médica! Obrigada! Mas onde fica o padre? No quarto dos padres. Será que é aqui? "Entra aí pra tu ver uma coisa!" Eita! Agora vou entrar mesmo. Quero saber o que é. Encontramos, não uma, mas várias coisas! Tinha um padre; outro padre que na verdade era pastor; outro só queria saber da sacolinha da igreja e de levantar a batina do padre (homi danado!); e um que não se identificou e só queria falar da vida alheia. Ainda tinha espaço para um coroinha que queria conhecer a minha igreja (Nossa Sra das Cruzes, em Mogi da Cruzes) e uma moça toda ensacada com medo que o outro roubasse a sacolinha dela. Eis que viramos a esquina e estamos em um refeitório. Tooodo mundo comendo, menos a gente. Não bastasse isso e ainda fingiram oferecer comida pra mim, somente pra depois engolir aquelas garfadas deliciosas e me fazer inveja. Ô, mulher ruim! Ainda mendiguei um pedacinho e aí ela disse: "Eu tenho que comer porque essa máquina aqui me come." É O QUÊÊÊ? Vamos embooora, não quero que me coma também! Saímos correndo e... hum! Acho que vimos uma cozinha. Tem feijão com arroz? "Não, tem arroz com feijão." Mas e feijão com arroz? "Só arroz com feijão." E ele? Feijão com arroz? "Não, mas tem arroz com sopa." Naaaaaaaah, vamos embora.
Voltando para casa, demos sorte de encontrar a Globeleza! Porém a fila estava muito grande pra pegar autógrafo. Fica pra próxima, né? Chateada. Ao menos tivemos um grande consolo: vários olhares surgindo e nos guiando pelo caminho e a delicadeza de marcarmos e sermos marcadas com um simples beijinho. *o*

Ana Catarina Antonino

Clownunciação

Por Ana Catarina Antonino

Na Oficina de Messier Gentileza

Clown vem chegando pra animar o hospital
E transportando o paciente a outro mundo
Ele nem precisa de nave espacial

Clown vem, clown vem!
Eu já espero o seu olhar. (2x)
Uma raposa sussurrou no meu ouvido
"És responsável por aquilo que cativas"
Mesmo com medo de errar, o clown lhe disse
"Eu vou encher o copo da rosa querida"
Clown vem, clown vem!
Eu já espero o seu olhar. (2x)
E sempre alerta vem fazendo estripulias
Ele esqueceu que difícil é fazer o simples
Mas tudo bem, o que importa é estar aqui
Sempre fazendo o seu olhar explodir
Clown vem, clown vem!
Eu já espero o seu olhar. (2x)
"Tudo que eu quero eu quero muito e vou mostrar
Fazer um monstro pra os teus alegrar
Eu até penso em uns jogos preparar
Mas sou cachorro e no final vou revelar."
Clown vem, clown vem!
Eu já espero o seu olhar. (2x)

Ana Catarina Antonino

Diário de Bordo

Por Yally Pêssoa

Dessa vez meu diário não vai falar da última oficina, esse diário vai falar do meu 1º ano de Palhaçoterapia. Nessa última semana, parece que senti o nariz mais maduro. Passei a semana inteira falando sobre o projeto e refletindo sobre ele. Parece que pela 1ª vez enxerguei a Palhaço não como uma atuação semanal, mas como um projeto, como MEU projeto, como NOSSO projeto. E me sentir parte desse todo me levou a muitos devaneios.

Diante de todo esse rebuliço, vinha sempre a pergunta que me fez paralisar algumas vezes nos últimos tempos “Preciso que os NOVOS se decidam se continuarão no projeto ou não”. Fazer uma pergunta dessa, seca, fria, crua pra alguém como eu que precisa de umas 3000 horas pra tomar uma decisão, que viaja a Marte em busca de respostas foi meio doloroso.
“Na dúvida, corre, Yally”; Não, Yally, na dúvida, NÃO corre! Na dúvida, resgata as lembranças. E aí vem uma historinha de lembranças, cheia de romance.
Era uma vez Yally e o Procape. Os dois sempre estiveram bem próximos, um ao lado do outro, uma caminhado pelo outro, mas nunca, NUNCA haviam se encontrado de verdade. Há quem acredite em amor à primeira vista e há pessoas como eu, que acreditam em amor como cultivo e conquista.
E o amor de Yally e Procape precisou de uma criatura (que se confunde com a própria Yally), chamada Lindinez (Lind pros mais íntimos) pra que se concretizasse. Olhar com os olhos de Lindinez, sentir com o coração de Lindinez e amar com o nariz de Lindinez era tudo que Yally precisava pra amar o Procape.
E como toda história de amor, essa tem um cupido. E o cupido (me perdoem se eu vier às lágrimas, alguns companheiros sabem a importância desse cupido) foi Dona Laudicea. Ela que despertou e nutriu o amor de Yally pelo Procape toda semana. Foi dela que Yally (ou Lind...) ganhou a maior recompensa de toda a sua vida e era por ela que Yally largava os estudos com prazer, que corria desesperada pelo corredor, que procurava em cada quarto ansiosa pelo encontro.
E se Dona Laudicea por Lindinez pediu pra adiarem sua alta pra ter um último encontro, é por vocês e pela beleza de vê-los com toda essa energia e vontade, que Lind não será aposentada agora.
Obrigada por me dar ainda mais motivos pra permanecer nesse projeto, que faz de mim todo dia um pouco mais feliz.
Aos melhores companheiros de formação, eles entenderão: nunca deixem de pintar seu nariz, sempre terá caneta vermelha e espaço pra ser pintado.



- Yally Pessôa :o)
O PEQUENO PRÍNCIPE
versão PALHAÇOTERAPIA-UPE
Cap. XV.1
Poucos sabem que entre o sexto e o sétimo planeta o princepezinho havia descoberto um outro planeta. Este, não era tão maior que os outros, mas era decididamente o mais povoado. Intrigado pela quantidade de pessoas, resolveu aproximar-se.
- Fique parada, por favor! - Exclamou exasperada uma menina mais próxima a ele, tão branca que parecia reluzir.
- Como queres que fique parada? - Retrucou em desdém uma outra cujo rosto era acometido por um pó rosado - Sou uma deusa, não um daqueles defuntos que maqueias. Tenho coisas a fazer e tu demoras muito.
- Ei macho, não gostarias de ver minha nova invenção? - Perguntou-lhe um sujeito de voz arrastada, uma vez que o princepezinho foi se aproximando.
- De que se trata essa invenção? - Quis saber, em toda a sua curiosidade.
- Uma máquina do tempo! Vê, você a coloca na cabeça, aperta um botão e serás levado ao período que desejar
- E funciona? - A perspectiva de ver tantos milhares de pores-do-sol o deixou entusiasmado. Não precisaria afastar a cadeira para tal fato, apenas apertar um botão. Aproximou-se, para melhor ouvir o inventor de tal maravilha tecnológica.
- Claro que sim! Já visitei vários lugares em várias épocas. Timbaúba, Goiana. Carpina... - Iniciou o inventor uma lista infindável de lugares que desconhecia o príncipe.
- E onde está tal máquina? - Interpelou o jovem
- Estou esperando meu eu do futuro trazê-la neste tempo. Ouça, quando chegar, posso emprestar-lhe por alguns instantes e-
- Não coloque a cabeça nessa máquina nem a pau, tá ouvindo? Nem a pau! A minha quase que não saía mais, tive que usar um macaco para conseguir - Disse em um tom veemente uma jovem que trajava roupas brilhantes. O príncipezinho ficou a imaginar um macaco puxando a máquina de sua cabeça e riu sem contensões, era uma ideia engraçada, aquela.
- Dejale en paz, muchachos! Estás con sede, joven? Tiengo un tiquito de agua para darle, caso quieras - Era um bigodudo que falava muito rápido e em um idioma complicado, não entendeu muito bem o que lhe disse, mas aceitou a garrafa prontamente, o tanto que havia falado o deixara com a garganta seca. Antes, porém, que pudesse levar o objeto aos lábios, ouviu um "psst" que lhe chamou a atenção. Uma jovem de olhar enigmático e aparência etérea se aproximou.
- Não bebas isto! - Disse-lhe com veemencia - Além de não matares tua sede, arrotarás bolhas pelo resto do dia.
Assentindo brevemente, o principezinho largou a garrafa em um canto.
- Segura ele! - Gritou alguém à sua esquerda. Demorou um tanto para entender que não se tratava de si, mas de um cachorro louco que corria pelo lugar.
- Não há o que temer! Eu o resgatarei! - Veio uma voz confiante de uma direção desconhecida. O jovem deparou-se com um sujeito estranho de roupa azul e vermelha, que iniciou uma corrida atrás do animal. Assistiu entusiasmado à perseguição e riu largamente quando o indivíduo azulado tropeçou em sua capa e deu de cara no chão, provocando um corte em sua bochecha. Do outro lado do pátio, um sujeito em laranja derrubou os pesos que segurava e riu escandalosamente. Era melhor se afastar, aquela cena estava muito selvagem.
- Há carneiros por aqui? - Inquiriu o principe a uma moça que por ele passou.
- Não, só cachorros, pássaros e porcos - Respondeu-lhe com uma voz fina e tímida indicando o menino que gritava pelo cachorro louco e um outro de bochechas rosadas, que tentava colocar alguns porcos em uma espécie de caixa grande sobre rodas.
- OLHA O BRIGADEIRO DA JOANA!! Queres um pouco, querido? - Ofereceu-lhe uma jovem de avental com bolinhas e barriga saliente. No encalço desta, veio uma outra, que entregou-lhe um cartão. Nele, estava escrito “Dentista de banguelos e imitadora de elefantes nas horas vagas”
- As pessoas sempre me procuram após comer brigadeiros loucamente - Disse-lhe com um sorriso confiante.
- E a mim então! - Interpelou indignada uma terceira. - Jazz emagrece, minhas aulas são muito requisitadas!
- Quero ver você aguentar essa criançada toda em um shopping lotado, aí sim! - Exclamou sorridente uma menina de voz doce - Vem, vamos brincar! - Chamava por uma menina saltitante de cachinhos dourados, que prontamente a seguiu. Não parecia ter mais que seis anos de idade.
O principezinho fervilhava em perguntas, como ‘o que é um shopping?’ ou ‘por que você ensina esse Jazz?’ mas antes mesmo de verbalizá-las, foi abraçado subitamente.
- Bom dia, coleguinha! - Cumprimentou-lhe uma jovem de cabelos cacheados
- Oi lindinho! - Repetiu o gesto uma outra em uma voz bem grossa
Os encontros deixaram-no confuso. Prosseguiu caminhando por entre aqueles sujeitos estranhos a fim de encontrar alguém para responder suas perguntas, até que encontrou um rapaz solitário.
- O que fazes? - Quis saber o príncipe.
- Sou um guerrilheiro - Respondeu-lhe.
- E o que faz um guerrilheiro? - Perguntou novamente.
- Luta - Foi a resposta concisa que recebeu. Não satisfeito, o jovem de cabelos cor de trigo persistiu:
- Contra quem?
- Si mesmo
- Para que?
- Para se tornar mais de si mesmo.
Assentiu com a cabeça, compreendento o que lhe havia dito. Mais adiante, o jovem encontrou com outras pessoas. Outros encontros singulares. Aprendeu que ser Micro não significa algo ruim, mas a probabilidade de poder crescer cada vez mais, e que poucos compreendem como o tecnopagode pode ser uma melodia apreciavel.
O pequeno príncipe se enquadrou na maioria que não compreendia.
- Queria rever minha rosa - Exclamou para si, chutando um pedregulho.
- Poderia te arrumar uma passagem de avião, mas terás que esperar que eu seja promovida, pois sou apenas uma estagiária e não ganhamos descontos tão bons assim. - Disse-lhe uma jovem muito alta.
- Seria magnífico! Mas o que é um avião? - Perguntou.
- É como um pássaro de metal. As pessoas entram nele, sentam em cadeiras confortáveis e viajam pelo mundo - Retrucou pacientemente.
- Ah, então prefiro viajar de outro modo - Afastou-se rapidamente, remoendo em sua cabeça como pessoas conseguiam viajar dentro de um pássaro ou como o pássaro não os digeria de vez. Talvez não fossem pássaros carnívoros. Enquanto pensava em ir embora, encontrou com um grupo distinto. As pessoas eram, de alguma forma, diferentes das que havia encontrado até agora. À frente do grupo, estava um homem de pele escura e cabelos esvoaçantes.
- Quem são eles? - Quis saber o pequeno príncipe.
- São monitores - Respondeu-lhe o homem.
- E o que fazem? - Perguntou.
- Monitoram - Veio a resposta curta. O homem apontou para alguém do grupo e indicou o sujeito selvagem em azul branco. Prontamente essa pessoa foi em sua direção e impediu que o rapaz caísse de um barranco, já que estava de olhos fechados e não conseguiu ver o perigo.
- Quem és? - Novamente perguntou o principezinho.
- Sou o monsieur.
- O que faz um monsieur?
- Espera
- Pelo quê?
- Pelo momento deles. Ainda estão desfrutando do caminho.
- Que caminho? - Insistia nas perguntas, sentindo que compreendia cada vez menos. Estranhos, aqueles dali.
- O caminho da verdade - Respondeu monsieur.
- E quando chegarão ao fim?
Com um sorriso gentil, monsieur se retirou, chamando a atenção do grupo com palavras de ordem do tipo “Maia disse todos são monstros!” O que mais espantou o príncipe foi que todos deixaram seus afazeres e se transformaram nos monstros mais variados e esquisitos.
           ‘Conheço um rei que gostaria de ter tantos súditos assim para o obedecer’ pensou o príncipe com seus botões
- QUANDO CHEGARÃO AO FIM? - Repetiu a pergunta em um tom mais alto. Nunca desistia de uma pergunta uma vez lançada.
Monsieur tornou a sorrir e permaneceu calado. Então, o principezinho compreendeu, havia recebido sua resposta. Acenou e se retirou daquele planeta estranho.
‘Não existe fim’ concluiu em pensamentos. ‘Pessoas grantes finalmente fizeram algum sentido’.
Fim do capítulo XV.1
“Valeu a pena, pela cor do trigo”
Branquilda da Flor Primeira
"A maquiadora de defuntos."
(Thaís Nóbrega)