Entrelaçados

Entrelaçados

Diário de Bordo

Por Thiago Oliveira em 17/07/13


E lá estávamos...Bananildo, Doroteia e Nina, descobrindo os segredos daquele lugar peculiar, quando vultos vermelhos são avistados à direita... 
"O que danado é isso?" é o que se pensa... 
Eis que vários indivíduos bem peculiares carregavam um nariz vermelho consigo... 
E nessa hora pensei: "PUTARIA É ESSA DOIDO???!!!" 
Um grupo razoável de franceses invadiram o MaLu com narizes...e marretas!!!! 
Encaramos eles, e eles nos encararam...eles escolheram um guerreiro, e nós escolhemos o nosso...qual deles era o mais frouxo? Não sei dizer, porque alguns segundos antes da luta começar eu fiquei com medo...e corri 
:o)

Diário de Bordo

Por Thiago Oliveira em 16/04/13

Ainda com aquele cheiro de Bananildo no rosto, a lembrança do olhar de Branquilda, o suor do corpo, coloco Elephant Gun pra tocar e escrevo esta história...e como qualquer história que se preze começa com um “Era uma vez... ...um herói embananado , com sua capa amarela projetada ao vento, e sua fiel escudeira logo atrás, mas só por alguns instantes, porque logo depois a ajudante vira heroína, e rouba a capa para si... Mas Bananildo não tem uma flor na cabeça!!?Emoticon confused Enfim...entraram...não sabiam onde, mas entraram! Logo ouviram alguém os chamar...era uma armadilha! Corre pro outro lado! Eis que a armadilha veio busca-los, e Bananildo fica cego! Uma pequena anã (que não era Branquilda) o cercava, e só sua melhor companheira do mundo pra lhe guiar naquele lugar estranho. E eles foram...não sabiam pra onde, apenas foram. Uma bucha, uma anã, várias mãos... ‘continue em frente!’. E saíram daquele lugar... mas a anã os seguia. Branquilda grita ‘CORRE!’, e assim Bananildo fez...só que ele não enxergava! ‘PARA’, e com um toque divino da melhor companheira do mundo, ele volta a enxergar... Neste ponto eles já se encontravam em um lugar obscuro, sendo guiados por uma criatura estranha, com movimentos mais estranhos. Descobriram que eram, na verdade, ‘o outro’ e ‘a outra’, e encontraram outro ‘outro’. Este estava tramando algo, com seu equipamento estranho com que conversava ‘Tudo bem! Tá liberado’...mas não para os dois ‘heróis’. Então os dois iniciam um duelo de titãs, mas Bananildo percebeu que não conseguiria vencer a poderosa Branquilda, e foi se esconder. Mas o esconderijo já estava cheio, e parecia que tinha um dragão lá dentro! Não sabiam exatamente de onde vinha, mas um rugido violento saia de dentro da caverna, e ninguém lá dentro sabia o que fazer. Em caso de dúvida: CORRE! Mas agora tudo está diferente...mais escuro...as portas se fecham sozinhas e uma figura mais estranha ainda aparece...UM BRUXO! Eles tentam sair de fininho, mas o bruxo não perde o olhar deles, e envia seus servos para buscá-los...Mas os ‘heróis’ conseguem ser mais rápidos...até que são cercados. Eles decidem, então, que a melhor estratégia é o disfarce! E de repente eles não estão mais cercados, e podem ir...só que tem mais um problema... Aquela anã do começo voltou...só que dessa vez ela parece maior...ou será que está mais brava? Os feitiços de paralisação não funcionam, e ela usa da artimanha da enganação para superar os dois. A ventania passa, a correnteza, e nada faz a anã soltá-los...até que Branquilda a distrai para que Bananildo abra a passagem, e só então os dois puderam sair daquele lugar estranho... e se foram...mas não por muito tempo...

Diário de Bordo

Por Renato Lucena em 04/08/14

Maquiar-se, alongar-se, subir energia! A cada vez que eu faço tudo isso, tenho a impressão de que nunca passei por nada daquilo antes e que essa é a primeira vez. Encontrar meus companheiros e subir minha máscara sempre será uma aventura que permanecerá em um mundo construído por nós, mas foi quando eu ganhei o mundo hoje, quando ganhei o MALU que eu tive a melhor surpresa que poderia esperar, foi logo na primeira enfermaria que, ao entrarmos, fomos recepcionados com uma chuva de olhares e até mesmo gritos histéricos de uma menininha assustada. No entanto, em meio a tantas coisas, me vi ser cativado por duas pedrinhas de brilhantes que haviam tomado o lugar os olhos de uma criança, uma criancinha de menos de um ano de idade, uma criancinha que apenas por chamar-se Gabriel já me ganhava.Nos encontramos e eu fui cada vez mais me aproximando, reconhecendo o seu espaço e fazendo o possível para respeitá-lo, de maneira que, quando ele estava ao alcance dos meus braços, eu os estendi a ele e em um gesto de total reciprocidade, ele se lançou em minha direção. Daí por diante confesso, o mundo pareceu ter acabado, tudo se resumia a um olhar, a um encontro. Nenhuma palavra foi pronunciada, ao menos não verbalmente, nossa linguagem era muito diferente. Afinal, a linguagem é uma fonte de mal entendidos, não é mesmo? Tê-lo ali junto a mim, foi uma das experiências mais fantásticas que já tive, pois eu via que aquela criança, aquela pequena criança, estava me reconhecendo de uma maneira que eu nunca havia esperado, que pela primeira vez que sabia como era ser visto com os olhos de um outro alguém e precisei me segurar para que minha jarra não transbordasse em meu olhar (coisa que não estou me dando o trabalho de fazer agora). Infelizmente eu precisei dizer adeus, mesmo tendo sido cativado, mas sei que foi graças a ele que eu ganhei um novo mundo.

O presente de Seu Antônio Severo

Por Renato Lucena em 27/10/14

Estávamos os três, um de nós, no entanto, não tinha nariz, apesar de ter um gigantesco brilho no olhar. Seguíamos em meio a encontros fantásticos, quando sem esperar, empurramos uma porta e lá estava ele: Um senhorzinho de baixa estatura com o abdome proeminente, tinha a pele negra como uma obsidiana e seu gosto era marcado pela franqueza dos anos que haviam lhe passado. Aos olhares desatentos, aquele senhor poderia ser apenas mais um pacientmau humorado, mas ao se mostrar um pouco disponível a ele, o senhor nos retribuiu com um belo brilho no olhar. Mas e agora? Dissemos a ele 
- Seu Antônio Severo, hoje é o nosso aniversário!  
Depois de um segundo de reflexão ele nos pergunta: 
- Mas dos três? 
- Sim, dos três! Somos trigêmeos! O senhor, por algum acaso, teria algum presente para nós? 
- Infelizmente não tenho, meus filhos. - respondeu ele fazendo movimentos negativos com a cabeça e mostrando as mãos vazias. 
- Mas eu já sei o que o senhor pode nos dar! 
- O que? 
- Um abraço a cada um de nós, mas um abraço bem apertado e bem dado! 
Sem hesitar um segundo sequer, ele prontamente se levanta de sua cadeira e dá um abraço em cada um de nós. Mas sabe aqueles abraços bem dados e muito apertados? Daqueles que você não sente mais nada a sua volta e que seu mundo se resume àquelas braços aconchegantes, daqueles abraços que você divide o fardo que você carrega com a pessoa e ela divide o dela com você também e incrivelmente eles se tornam mais leves. Daqueles abraços que, ao nos separarmos, havíamos necessidade um do outro. E foi assim que nos despedimos de Seu Antônio Severo, preenchidos e com nossas jarras cheias de uma energia maravilhosa, uma energia que eu via brilhar nos olhos dele a ponto de quase transbordar, uma energia que ainda carrego comigo. 
Muito obrigado!

Uma trilha pela metade

Por Renato Lucena em 24/11/14

Uma trilha a ser percorrida com meus companheiros, com aquela minha nova companheira que brilhava o olhar e enchia minha jarra. Tivemos encontros de todos os tipos, encontros de todas aa maneiras, encontros que nos faziam encher o coração de tanto amor, encontros quenos faziam ficar entorpecidos pelo olhar, encontros que nos levaram a abraçar, encontros que nos levaram a ajudar. Ajudar? Sim, ajudar. Quando dei por mim, Petrúcio, essa parte dentuça de mim, foi requisitado "Em quer ir para a mesa no fim do corredor, vem me ajudar" falou aquele senhor se referindo a sua própria mãe. Tal mãe que havia se lembrado de mim, uma mãe que havia pedido por abraço e carinho, uma mãe que em meio a atuação encheu minha jarra de tal maneira que cheguei a transbordar pelos olhos. Então, como negar ajuda a essa mãe? Mesmo ela tendo um peso muito maior do que o meu, mesmo apresentando a mobilidade reduzida por um AVC, como negar ajuda a essa mãe? Passamos a ajuda-la a se locomover naquele corredor, passo a passo, cada um se mostrando mais árduo que o anterior, eis ai que minha preocupação com a segurança daquela Mãe, minha máscara corpo passou a cair e assim ficou cada vez mais pesado sustentar a minha mascara objeto. Eu sabia, não seria capaz de sustentar ambos, a Mãe e minha máscara ao mesmo tempo, então precisei fazer uma das minhas escolhas mais difíceis quanto clown, mas certamente uma das mais sensatas, me retirei por 10 segundos, fui no canto mais próximo, e abaixei o nariz, somente assim eu me senti capaz de poder dispensar roda a minha energia e disposição a ajudar alguém que precisava de mim. Agradeço sobretudo às minhas companheiras, elas que sempre se mostraram disponíveis a me ajudar e a me entender.Alice,AlineCecília,meu mais sincero muito obrigado, vocês foram essenciais para o dia de hoje.

Diário de Bordo

Por Renato Lucena em 01/12/14

E nunca foi um grande sonho meu estar aqui escrevendo isso, mas se mostrou ser um sonho a cada dia que eu passava ao lado de vocês. Ainda há um mês em curso para que o ano acabe, mas o dia de hoje marca o final de um ciclo, o mais belo primeiro ciclo que eu poderia sequer imaginar para mim. Subir a minha máscara, levantar o meu nariz, brilhar cada vez mais o meu olhar se mostrou um desafio maior do que eu pensava a cada atuação que se passava e eu, um palhaço recém formado sem a menor experiência estava munido apenas pelo desejo de ser verdadeiro. Eis que me surge o segundo artificio para seguir em frente nesse caminho. O segundo apenas não, a segunda, a terceira, a quarta e até mesmo uma quinta, minhas companheiras. Cada uma delas dando o melhor de si para que houvesse o melhor de mim. Cada uma delas me marcando com seus olhares brilhantes e jeitinhos singulares. Ao lado delas, vi Petrúcio tornar-se cada vez mais Dentuço e maduro, ao lado delas eu aprendi o real significado do dogma "Meu companheiro é o melhor companheiro do mundo" fosse com Nina e sua quietude, Julieta com sua risada e bochechas marcadas por chineladas, Katiusca se mostrando um pequeno tornado a cada porta aberta e até com Doralina e sua incrível disponibilidade. Posso dizer com toda a segurança do mundo que não sou capaz de agradecer a vocês, não na proporcionalidade do quanto cada uma de vocês me fez bem. Saibam que de hoje em diante eu não serei capaz de olhar para um céu azul sem me lembrar do casaco de Julieta, para um sol brilhante sem me lembrar dos cabelos de Doralina, para a altura e o verde das árvores sem me lembrar de Nina, muito menos serei capaz de olhar para o sorriso de uma criança sem vir a memória as travessuras de Katiusca. 
À vocês, minhas companheiras, novamente, muito obrigado.

Chorar de rir

Por Renato Lucena em 16/01/15

Sempre me foi dito em meio a histórias "Menino, eu achei tão engraçado que acabei chorando de rir." No entanto, nunca esperei passar por uma experiência tão literal acerca dessa expressão.
Estávamos nós dois mais uma vez, Petrúcio e Doralina, com corpos dançantes, olhares brilhantes e narizes vermelhos, estávamos prontos para tentarmos ser mais com o menos que éramos. Quando eis que em um deslize, quase que com uma maldade, mas sendo um ato totalmente culposo, acabei por borrifar lágrimas nos olhos de Dora, nunca havia sido minha intenção fazer aquilo, e ao encontrar com minha companheira percebi que ela entendia. Caminhamos juntos, lado a lado, enquanto um ria o outro chorava, enquanto um chorava de rir o outro ria de tanto chorar. E foi assim que seguimos, um sendo não apenas o mais puro oposto do outro, mas bem como seu complementar absoluto, quase como duas forças opostas que guerreavam entre si, mas que ainda sim, se mantinham em total harmonia. Os encontros e olhares que semeamos e colhemos ao longo de nosso trajetos foram de uma magnitude sem tamanho, pelos quartos e corredores as pessoas passavam a se identificar conosco, pois passávamos a ser um retrato da vida, uma vida que era permeada não somente por lágrimas, como também por risadas, duas faces de uma única moeda que estavam de comum acordo de coexistir e se respeitar por saber que um jamais poderia existir em plenitude sem o outro.
No entanto, eis que é chegada a hora da dita partida, e como já é profetizado no dito popular, a dor do parto é grande. E mais uma vez nos vimos em um misto de tristeza por ter acabado e em êxtase por termos vivido. Estávamos extremamente agradecidos um ao outro e, sobretudo, às flores que cultivamos em nosso caminho.

Diário de Bordo

Por Clarissa Cozzi em 02/05/2015


Incrível como em meio a jogos e brincadeiras a gente vai aprendendo e formando laços.  Tudo acontece com uma intensidade assustadora. Cada sensação é amplificada.Inclusive a aflição pelos borrões. Entendo que ver o mundo material com nitidez não é o mais importante no SER e ENCONTRAR, mas ao mesmo tempo essa aflição ainda me acompanha. No palco, com aquelas atividades tão dinâmicas, acho que consegui abstrair em muitos momentos. Em outros, quando a energia caía um pouco, vinha o peso dos borrões. Talvez seja uma questão de aprender a controlar essa energia, a estar em constante projeção. Que venham mais borrões, mas que agora eu consiga encará-los com leveza.

Diário de Bordo

Por Clarissa Cozzi em 01/05/2015



Vulnerabilidade. Primeira sensação do picadeiro, primeira sensação da oficina. Logo eu, que a maior parte do tempo tento passar despercebida nas multidões, me vi com a tarefa de me APRESENTAR a 50 + pessoas. Conhecidas e desconhecidas. Sozinha, no meio da sala. Entrega. com tanto nervosismo, me permiti. Deixei fluir, nem sei bem como foi. Nem sei o que fiz pra escutar "own" e gargalhadas no final. Só sei que me entreguei àquelas pessoas. De braços abertos, ofereci a única coisa que tenho: amor. Porque o meu companheiro é o melhor companheiro do mundo e mesmo sozinha no meio da sala eu definitivamente não estava sozinha. 

Diário de Bordo

Por Rafael Morais

Diário de lonjuras de Rufus (Rafael Morais)
Queridas raposas de nariz vermelho,
Acabo de voltar da pracinha do condomínio e tenho uma grande surpresa para lhes contar. Estava lá um estudante de medicina com uma prova a aproximar-se, passeando para lá e para cá com seu tomo esperando tomar um vento e refrescar a cabeça durante a leitura. Quando como que vindos do nada aparacem dois, imaginem, DOIS OLHARES BRILHANTES com um pedido inesperado: "Ei, moço, vamos brincar?" Filho da mãe apelão que esquece das lições do Monsieur esse estudante de medicina. Adivinhem o que ele responde? "Eita! Eu tô estudando vai dar agora não". Mas aqueles dois não estavam de brincadeira, isso é o que eles menos queriam. Ficaram inventando suas traquinagens no parquinho BEM NA FRENTE DO ESTUDANTE. Olhem que dois danados!
Eis que aquela bolinha começa a pupular. Primeiro momento franquinha, só como um motorzinho enfraquecido por quase dois meses de pouco uso, foi lubrificando as engrenagens, recalibrando o compasso e passou de uma luzinha bem fraquinha para um solzão de verão que merece um ALEHUP de tão forte.
Acho que o desfecho que vocês já podem imaginar: OLHARES SUPER-MEGA-BRILHANTES e Rufus aparece, mesmo sem o nariz!

Muitas saudades de seu mascote-cachorro,
Rufonildo Sarnildo

O clown é um perdedor feliz

Por Pablo Cavalcanti em 14/05/13

Maria Lucinda – 14/05/2013 – Chica Pantera, Shine Jackson, Tico da Selva e Veludita Linguita
Apesar do evidente pleonasmo, não há outra palavra para descrever o nosso aquecimento além de quente. Uma desconhecida dorminhoca nos fez mudar de planos quanto ao lugar para nos trocarmos. Toda vez que alguém abria a porta do quartinho era quase um STOP. Sem subir o nariz somos pessoas com maquiagens estranhas vestidas ridiculamente. Com nossa máscara, continuamos ridículos, mas passamos a não nos importarmos com isso.
Com feromônios a flor da pele, saímos do quartinho dos lençóis. O filho, que também era Neto, de Bezerros e Gravatá, nos recebeu com um instrumento misticamente tecnológico e pretendeu prender-nos em seu poderoso Tablet. Corremos para as colinas, como se não houvesse amanhã. Ele insistia em nos alcançar, não importava o quanto corrêssemos.
Enfim livres, chegamos à enfermaria do sim e do não. A rejeição consumia Tico da Selva. Até ele ser lembrado por suas companheiras de uma lição há tempos aprendida: O clown é campeão no fracasso, é um perdedor feliz. Recordando isso, encontramos um garoto que acreditou seriamente que tinha um piercing na orelha. Ele não só comprou como vestiu o jogo. Essa enfermaria foi incrível. Incrível como aquelas crianças conseguiam tanto com tão pouco. Simples olhares e poucos movimentos nos diziam quando e se podíamos avançar ou recuar.
Atravessando um imenso corredor, encontramos uma médica que referia estar “hipnotizada”. Ao exame, apresentou-se com olhar brilhante e riso frouxo, sem alterações nos demais sistemas. Uma enfermeira nos contou que possuía conhecimentos profundos em egípcio antigo, desses que nem a Biblioteca de Alexandria tinha. Ela nos fez o favor de traduzir alguns hieróglifos.
Num quartinho bem escondido passamos frio, mas aquecemos um menino que estava por lá. Pelo menos tentamos. Continuando nossa caminhada, nos deparamos com uma máquina maligna que fez a pobre Chica Pantera tanto sofrer. Chica, Chica... Ficou conhecida como Chicarai a partir daí...
Conhecemos uma pequena menina que participou das filmagens de Titanic, com os cabelos ao vento, com direito a trilha sonora cantada por Shine Celine-Dion Jackson. Destrocamos bebês que foram trocados pelas mães ainda no MaLu, numa confusão enorme entre berços, chupetas e enfermeiras.
No nosso caminho de volta fomos atacados por um trio de crianças interessadas no caos e na bagunça. Delinquentes juvenis que roubaram a capa de Tico, o chapéu de Shine entre outras peças do vestuário. Recuperamos nossos pertences mediante pagamento do resgate e nos escondemos no escuro, onde tais ladrõezinhos não conseguiram nos encontrar.
Após baixar o nariz, reencontrei o olhar do garoto do piercing. Ele abriu um largo sorriso e me deu tchau. Fui reconhecido. Ele não disse nada, mas aquele encontro fechou a noite com chave de ouro. Fui pra casa e levei um pouco daquele olhar comigo. Acredito que ele também levou um pouco do meu.



Diário de Bordo

Por Rebecca Luna em 2015

Resisti ao calor de Recife.
É por essência adaptável à qualquer tipo de situação pois é adepto ao improviso.
No quesito romance, não suporta uma traição e se a briga é de separação, fique distante antes que algum jarro voe para cima de você. Por sinal, falando em voar, eles possuem um moderno sistema de visão aérea ainda não usado pelo Google Maps. 
Alguns gostam de paquerar na balada e são muito indecisos quanto ao objeto de desejo na noite. 
Adoram uma perseguição policial.
Também possuem botão rebobinar e cêmera lenta na versão 2.0.
Após o uso, conservar em uma caixinha 3 dedos abaixo do umbigo e manter em projeção para explodir amor na próxima quinta-feira!

Diário de Bordo

Por Pablo Cavalvanti

Chegamos ao PROCAPE, Flavinha e eu, sem taaanta disposição. Estava meio doente, tossindo pacas. Pra completar, um susto ao abrir o recipiente hermeticamente fechado onde fica armazenado o meu nariz, longe de todos os perigos do mundo exterior. Ou não.
O maravilhoso elástico do nariz vermelho, quem diria, estava arrebentado. Ora, isso só pode ser obra do tinhoso querendo atrapalhar nossa atuação. É satanás querendo que a gente leve mais uma falta. Mas hoje não. Como não desistimos (quase) nunca frente às dificuldades, conseguimos dar um nó no nariz e ele chegou ao seu devido lugar depois de um aquecimento com muita l̶u̶z̶,̶ ̶s̶o̶m̶ e ̶m̶o̶v̶i̶m̶e̶n̶t̶o̶s música, cavalgadas, ondas e uma dança quase convulsiva.
Surgiu então uma serpente. Uma não, duas. Serpentes dessas que metem medo, são teimosas, não recebem ordens e tentam atacar tudo que veem pela frente, do tornozelo de uma palhaça até um segurança. Segurança este que na hora se desarmou, e – surpresa! – tinha uma serpente em forma de mão, assim como nós.
Entramos naquela caixa grande de metal que sobe e desce, descobrimos que o gato comeu a nossa língua e quase fomos atacados por um bicho enorme, quadrado e que seguia ordens de uma senhora (dps descobrimos que era apenas o carrinho da comida =P). Ao saírmos de lá, nos deparamos com um grupo de pessoas vestidas de jaleco que nos lembraram velhos conhecidos de um baile não tão distante...
Bem, não sei por qual motivo exatamente (brinks, eu sei), Veludita ficou tão sem jeito com aqueles doutores sentados na mesa. Ela não quis muita conversa, estava envergonhada e eu tentei, sem sucesso, desafiá-la a encará-los.
No fim do corredor (percorrido em tempo recorde kkkkk), encontramos um grupo de senhores discutindo a gravidez de um deles. Ele disse estar esperando seus “meninos” há apenas três meses, mas a barriga de 9 meses não engana... Depois de presenciar um beijo roubado e um ataque de risos agudo, sem supra de ST, fomos aos outros leitos.
Encontramos uma senhora, coitada, perdida. Como bons palhaços que somos, fornecemos um mapa que poderia leva-la a evolução Pokémon! (sic) Bem, ela pareceu satisfeita. Em outro quarto encontramos uma mulher que não tomava banho há muito tempo, nem trocar de roupa; lá tinha também um homem pouco higiênico, que não trocava as meias (isso me lembrou alguém de sobrenome Jackson...) e um senhor que sua acompanhante disse ser especial.
Realmente, seu W. era especial, pois apenas seres especiais podem embarcar em safáris, imitando diversos bichos e ainda nos fornecer diversas moedas de ouro. Com todo esse dinheiro, visitamos a sra. Elegância, e seu marido sem educação. Ela tentou, por 30 anos, ensiná-lo bons modos, só que as aulas de etiqueta não foram muito bem aproveitadas por ele. Mas eles eram felizes assim.

Saímos em busca de comida, publicamos no Instagram e deixamos de ser Veludita Linguita e Tico da Selva para sermos Flavinha e Pablo novamente. A minha tosse, infelizmente, não foi milagrosamente curada. Mas eu me senti muito melhor mesmo, por poder compartilhar esses momentos incríveis com a(os) melhor(es) companheira(os) do mundo.

Sincero

Por Natália Torres

Hoje o papo é em prosa, mas o sentimento é de poesia. E como não ser? Quando se esquece do exterior, o que resta, o que IMPORTA, é ser unicamente sincero. Sincero com os outros, sincero consigo mesmo, sincero com os sentimentos, SINCERO. E essa é uma palavra mais que adequada ao nosso propósito. Certa vez meu pai me disse que na Roma antiga, escultores usavam cera pra corrigir, disfarçar pequenas imperfeições que pudesse haver em suas obras. Assim, aqueles que não faziam uso desse artifício, ressaltavam que as suas esculturas estavam sendo exibidas bem como haviam sido concebidas, eram verdadeiras, autênticas, sem artifícios, sem cera. Sine cera. Sinceras.
Eu não sei até que ponto essa historinha é verdadeira, mas dela hoje tenho uma interpretação bem diferente da que tive na primeira vez que a ouvi. Pois se eu fosse uma escultora, não encobriria um descuido com o cinzel ou qualquer falha no mármore, justamente por saber que são esses ditos defeitos, os responsáveis pela unicidade da obra. E como esculturas vivas que somos, temos defeitos, defeitos que muitas vezes tentamos encobrir com um tipo especial de cera, às vezes chamada silêncio, às vezes chamada mentira, às vezes chamada medo, e às vezes nem mesmo chamada, mas que quando retirada tem gosto de liberdade. E é o que experimentamos aqui, a liberdade de saber que mesmo sem cera, mesmo sincero, mesmo com as imperfeições a mostra, somos queridos e somos únicos e somos unidos e somos cada um, uma parte de uma obra maior ainda, que juntando todo mundo e subtraindo toda a cera, produz a mais sublime escultura de todas, a mais fabulosa, a mais verdadeira, a mais sincera e que tem como autores apenas os melhores, os melhores companheiros do mundo!

Nos olhos

Por Natália Torres 

 Antes mesmo da leitura dos diários, fomos surpreendidos por um momento dedicado à conhecer. E conhecemos o melhor, o maior, o mais demais palhaço da GRANDIOSA Lagarto. Prestes a gravar seu segundo DVD, pasmem. Acompanhamos o dia de princesa do Pirombeta, que agora já é para nós, mais que um sujeito, mais que um substantivo, um verbo, um exemplo! Do que não ser!!! Também conhecemos um mágico, músico, mequetrefe russo. Avner, que encantou com tanta simplicidade. O velhinho formoso que aqueceu corações. Barbudo, magrinho, até um pouco desajeitado e com modos frágeis, mas grandes, e mágicas surpresas. Quebras de expectativa e show de simpatia e sinceridade.
Alongando e cantando saiu de tudo e ficou aquele gostinho de “quero mais” depois de cantar (gritar) a música da abertura do tão saudoso desenho “Dragonball Z”, que permeou a infância e trouxe ensinamentos aqui reforçados, pois com a minha mente dou a mil lugares e a imaginação nos dá forças pra voar. Valendo salientar que sempre unidos vamos triunfar. Vamos TODOS triunfar, nós e o jogo.
De forma pessoal, dançamos e dançamos mais, aos embalos de domingo à tarde, os melhores companheiros do mundo se tornaram também os melhores dançarinos do mundo, pois, sem precisar da visão, sei que dançamos a mais única dança do mundo e nesta podemos nos orgulhar de sermos os melhores, mas não os melhores de Lagarto, os melhores do MUNDO.
Deixamos para trás um campo minado de suor, só me resta comentar do olhar... Olhei, vi, encontrei Carlete, encontro este que foi belíssimo e serve para provar que o tamanho e formato dos olhos não importam, da mesma forma que uma janela pode ter qualquer formato e ainda assim cumprir sua função reveladora. Brilharam, os olhos pequeninos e puxados brilharam*-* E foi lindo, e foi difícil conseguir ficar parada, mas especialmente quando se tem um Gentileza, de forma nada gentil, dançando freneticamente ao seu lado. Ainda mais forte que ele, só o olhar que me olhava, que me via, que encontrava. Esse sim, de tão brilhante e esbanjando energia, parecia faiscar, querendo tudo muito e cada vez mais!
Bem como Yally que recebeu seu texto da avó, o que segue foi patrocinado por Cecília Meireler. Estava lendo quando me deparei com a seguinte afirmação:
Nos olhos
“O mundo coube nos olhos”

Sim, Cecília
O mundo coube nos olhos.
O mundo cabe nos olhos.
O universo cabe nos olhos.
Tudo cabe.
E há sentimentos só expressados com verdade
Através dos olhos.
E há sentimentos que de tão fortes,
De tão intensos, de tão enormes,
Forçam os olhos a criar um pouco mais de espaço.
Espaço criado pondo lágrimas para fora.
Às vezes poucas, algumas, muitas, rios.
Quantas se fizerem necessárias
Até haver,
Nos olhos,
Lugar para o sentimento guardado (ou escondido)
No coração.
E aqui,
Tão sinceramente
Mostrado,
Libertado,
Alforriado,
Encontrado,

Nos olhos.